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A outra face do PIX

25 de maio de 2022 Renata Fontes

A outra face do PIX

— Tem PIX?

— Faz um PIX!

— Pode pagar no PIX.

Duvido que você não tenha ouvido uma dessas frases no último ano. Lançado durante o mês de novembro de 2020, em plena pandemia da COVID-19, o PIX se tornou sucesso de público no Brasil.

A chave única trouxe simplificação!

O PIX oferece comodidade por conta da chave, que simplifica tudo. Apenas um dado – celular, CPF, e-mail ou número aleatório – e pronto: pagamento efetuado. Embora pouca gente saiba, é possível pagar por meio do PIX, informando os mesmos dados requisitados na TED ou no DOC.

As estatísticas comprovam a enorme aceitação dessa modalidade de pagamento. Em um ano e meio de existência, as transações realizadas mensalmente por meio do PIX já superam a casa do bilhão.

Além das transferências via PIX serem instantâneas, a modalidade está disponível todos os dias da semana, e a qualquer hora do dia ou da noite. Essa característica torna o PIX similar ao cartão de débito ou dinheiro. 

Está sendo comum nos depararmos com reportagens, abordando o crescimento da modalidade e seus benefícios, ora para consumidores, ora para lojistas. Mas o PIX vem revelando uma face que merece reflexão… E preocupa.

Você lembra o que pagou com o último PIX realizado?

Vamos propor uma brincadeira para demonstrar o nosso argumento. Pegue seu extrato bancário do último mês. E se concentre na segunda semana. Visualize as transferências realizadas por meio do PIX. Avalie os valores e os destinatários. Você lembra o que motivou cada uma delas? Por acaso você estava comprando comida, pagando uma consulta médica ou adquirindo sapatos? Difícil saber, né?!

Uma das razões para isso é a forma como o PIX vem sendo apresentado no extrato bancário, que contém basicamente a data, o nome do titular da conta de destino e o valor. E isso impede que as pessoas monitorem seus gastos da maneira adequada, pois é difícil lembrar de cada PIX efetuado. E, como o PIX é gratuito e prático, as pessoas estão pagando tudo por meio dele, o que resulta em um distanciamento em relação ao orçamento doméstico. No médio prazo, isso vai ter um preço…

A situação é semelhante ao que acontecia com os saques realizados nos caixas eletrônicos. Parece coisa do passado, né? E é mesmo! Somente as pessoas obcecadas por controles financeiros anotavam os compromissos e as compras pagas com dinheiro em espécie. Não agrupar os gastos realizados por categoria prejudica a compreensão do orçamento, mesmo quando existem sobras de recursos.

E se as despesas superarem a renda em determinado momento, o volume de transações por meio do PIX tornará quase impossível saber a categoria que gerou o desequilíbrio e, consequentemente, dificultará a correção da rota. É claro que ninguém quer isso…

O desemprego e o crescimento do MEI…

Você pode afirmar que trazer o nome do titular da conta que recebeu o recurso por meio do PIX não representa um equívoco. E é a mais pura verdade. Não é mesmo. Seria fácil identificar que um PIX para uma farmácia representa gastos com saúde. Mas, infelizmente, quando o titular da conta é uma pessoa física, a coisa muda de figura. O que mais aparece nos extratos são envios de recursos por meio do PIX para pessoas físicas: R$ 4,50 para o André S. F., R$ 7 para a Maria José C., R$ 12 para a Áurea L. P., R$ 20 para o Oscar R. T. E isso tem uma razão!

Em geral, muitas pessoas se tornaram microempreendedores individuais em virtude da crise econômica provocada pela pandemia. Se em dezembro de 2019, os microempreendedores individuais não chegavam a 9.430 mil, hoje eles somam 13.900 mil, de acordo com dados apresentados no site do Governo Federal para o dia 30/04/2022, o que representa um incremento de quase 50% no período.

Não negligencie o seu orçamento doméstico

Fique atento aos gastos que você vem fazendo no PIX. E, de preferência, tome nota deles, pelo menos dos mais representativos. Assim, você evita perder o controle do seu orçamento doméstico. Seria muito positivo que a indústria financeira estivesse preparada para gerar extratos com informações mais detalhadas sobre as transações realizadas, especialmente considerando as iniciativas existentes para disseminar a educação financeira no país. Quem sabe essa reflexão acaba gerando algum movimento nesse sentido. Todos nós ganharíamos com isso!

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Categorias:Blog, Finanças pessoais
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